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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Degelo da Gronelândia, uma catástrofe?

Vou partilhar convosco um dos meus maiores "sonhos" que gostava de realizar ainda com alguma juventude: conhecer o Ártico e o Antárctico, o polo Norte e o polo Sul. Estas ou qualquer outras regiões onde o gelo seja praticamente o único protagonista da paisagem. Deve ser catártico, pacífico.... 

Sinto-me de luto quando leio notícias devastadoras como o recente degelo da Gronelândia que, em apenas QUATRO dias perdeu 97% de tudo o que lá existia!!!! Não sentem o mesmo? Uma perda desmesurável, um incómodo de luto, algo assim que assusta muito e deixa-nos preocupados? 

Imagens-satélite da NASA, captadas nos dias 8 e 12 de Julho, altura de Verão na região.
Um fenómeno de degelo até então nunca antes observado.
.
E no dia 16 de Julho o glaciar de Petermann, na Gronelândia soltou uma ilha de gelo duas vezes maior que a cidade de Lisboa. São 120Km2 de gelo que fica à deriva no oceano ameaçando as rotas marítimas do Atlântico Norte.
Imagem satélite do momento da separação do glaciar Petermann

Quando era mais nova e sabia que ia gostar de visitar um lugar assim, pensei sempre que teria tempo, porque para sempre o gelo ia continuar a estar onde sempre tem estado: nos pólos. Mas em apenas uns dias, uma catástrofe destas parece deixar uma mensagem muito clara sobre a forma como tomamos tudo por garantido. Em apenas meia-vida ou 2 dezenas de anos, aquilo que sempre lá esteve está a deixar de estar e se não me apressar não restará NADA para ser visto.

(Video of an icebergue breaking appart.  Ps: no, that is not "pretty cool") .
Até me informei sobre as recentes expedições turísticas à Antárctica, local onde cada vez mais se tenta levar turistas. Porque só assim, não é? Os preços vão de uns mínimos 15000€ a 35000€, por baixo, por alguns 6 ou 7 dias, em que as roupas e tudo o demais que suponho necessário para aguentar temperaturas muito abaixo de zero não estão incluídas no preço, como é óbvio. E estudei alternativas. Graças ao canal de tv myZen, que me mostrou o Pepito Moreno Glaciar, na Argentina (que julgava calorosa), na região da Patagónia, percebi que se calhar este "sonho" pode realizar-se em outra escala, de outra forma... até um dia, quem sabe, chegar aos pólos. O problema de algumas regiões onde se podem observar belos glaciares é que existem conflitos e guerrilha, uma ameaça de instabilidade ou pobreza social que não tão poucas vezes como gostaríamos de julgar, conduzem a raptos de estrangeiros e assassinatos. No parque Nacional dos Glaciares, onde entre outros se encontra o "Pepito", julgo que é possível fazer escalada no gelo, fazem-se passeios (trekking) pelo glaciar, pelo interior de seus túneis naturais, pesca desportiva e passeios de barco (apinhados de turistas). .
(Glaciar Pepito Moreno)

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Sotaques e raízes

Sou um desastre para sotaques.
Não só não os sei imitar, como me passam ao lado.


Já cometi a «gaffe», por assim dizer, de conversar com alguém por uns minutos e acabar por ouvir as pessoas a me dizer: «então não se vê logo pelo sotaque?».


Só oiço o português. A forma como me chega, quase sempre passa despercebida. Venha com sotaque do alentejo, do norte, do sul, dos Açores, dos emigrantes. É isto um mal? Ou um bem? Acho que demonstra o quanto não é de meu carácter a tendência para descriminar, por isso considero um bem. Porém, dependendo da ocasião, pode vir a ser um mal. Quando para os outros isso importa e a mim não, acabo por virar vítima desta situação.


Sou a portuguesinha, Lisboeta assumida em mensagens anteriores. É suposto ser aqui o «sotaque zero». Ou seja: o povo de Lisboa não fala com sotaque. O português-padrão é aqui, é o que é divulgado nos meios de comunicação em massa, considerado «sem sotaque».


Hoje deu-se um acidente de viação numa estrada do norte. Um camião-cisterna virou e derramou ácido. Estou atenta à notícia quando o entrevistado diz: «o camião viroue». A palavra viroue ficou ali a pairar uns instantes no ar até me lembrar porquê: era assim que o meu avô falava. Com sotaque do norte.


Minha avó também. Embora seja Lisboeta e quase nunca saiu para além desta cidade, o seu português falado está cheio de expressões com «sotaque» que, para minha vantagem ou desvantagem futura, me enternecem quando as escuto.


No entanto, toda a minha vida, estas características das pessoas mais próximas a mim passaram-me ao lado. Era tudo igual. Escutava-os, entendia-os, e nenhuma diferença continua a me fazer se os escuto a dizer «bassoura» ao invés de vassoura. Entendo-os perfeitamente de qualquer das formas que tenham para se expressar. O curioso para mim é só recentemente ter percebido esta coisa dos sotaques e de que forma fizeram eles parte da minha vida, sem lhes ter prestado mais um pouco de atenção.


Podemos ser fruto que o vento soprou para longe. Mas as raízes nos acompanham por muitas e muitas gerações...