Não sei o que me deu mas lembrei-me de uma pessoa com quem privei na infância e nunca mais soube nada dela. E o que me lembrei? De colocar o seu nome na barra de pesquisas do facebook, pois o nome completo foi uma daquelas coisas que ficou na memória, vai-se saber lá porquê.
Claro, não encontrei nada. Nem esperava encontrar. E se encontrasse, nada ia fazer. Mas isso fez-me reflectir na quantidade de pessoas com quem nos cruzamos na vida. Algumas até são recentes. E aí pensei: "porque será que as pessoas gostam de procurar e serem encontradas pelo facebook?"
É que não mudei de endereço. Nem de número de telemóvel. E o meu email basicamente continuou a ser o mesmo por muitos e muitos anos. De modo que, a meu ver, continuo tão contactável e localizavel quanto sempre. Se alguém num ímpeto de saudosismo quiser saber como ando, basta discar o velho número.
No entanto, quase que arrisco afirmar sem muitas dúvidas que existindo essa possibilidade e o facebook, a maioria das pessoas se sentiria intimidada com o imediatismo do telefone e tentaria primeiro o anonimato do facebook. Com sorte, se encontrar quem pretende, consegue "espreitar" a sua vida sem se fazer notar. Sem estar presente. Descobre de imediato se está casado/a, como é a vida familiar, o que anda a fazer e até a sua aparência, graças às fotografias. Voyerismo?
Bom, no caso da pessoa que me veio à lembrança, nada descobri nem poderia. A curiosidade dita apenas o querer saber se está bem, se está viva, se tem uma vida minimamente agradável e feliz. O resto não me desperta muito interesse. Não quero saber se está melhor ou pior que eu, se envelheceu melhor ou pior, se tem mais posses ou se tem uma profissão mais invejável. Tudo isso que eu sei importar para tanta gente, a mim não interessa. Mas naquela altura nem existiam telemóveis, quanto mais números. Foi uma breve amizade perdida para sempre. É assim a vida.
