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quarta-feira, 27 de junho de 2018

No Porto


Vale a pena ler o relato de uma alternação (palavra gentil) entre três mulheres e um segurança, na noite de S. João, no porto, enquanto esperavam um autocarro. 

Há tanto de português nisto... 
E não menciono o racismo.
Pelo simples facto de uma das mulheres ter chegado DEPOIS e "cortado" a fila (foi juntar-se às amigas que estavam na frente) um gajo impediu-a de tal (tal é a ânsia pelo assento) e tudo resultou e murros no rosto, sangue, insultos, cuspidelas - uma violência desnecessária. 


A polícia?
Não mugiu nem tossiu.



Tudo porque passou à frente na fila do autocarro...
E aqui na terrinha de sua Majestade, o que me irrita é que esse conceito de ordem de chegada é inexistente. 

As pessoas enfiam-se no autocarro de forma ordenada mas, não por ordem. Não têm noção dessa ética social. É o primeiro que se chegar na porta e todos aqueles que fizerem fila dupla atrás. Nada de respeitar a chegada, posso ser a primeira e não existir ninguém mais por uns bons 10 minutos. Não faz diferença. Aqui na cidade onde estou não respeitam ordem nem dão prioridade a idosos na entrada do veículo. Têm prioridade nos assentos da frente  - como em Portugal. Mas antes disso... esqueçam. 

Se fosse reagir assim por cá... por entrarem no autocarro fora da ordem de chegada... 
Ai, ai. 
Apenas bufo, abano a cabeça ou reviro os olhos.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Celebridades e seus efeitos no tempo

A capa da revista televisiva do CM:


Esperavam um microfone, não é? Independentemente da reputação que conferem a este media da Cofina, o grupo também tem coisas que se aproveitam. Esta entrevista é um exemplo disso.

Acreditem se quiserem mas andei nestes dias a reflectir nisto. E tenho que dizer: concordo plenamente com esta citação


Ao ver programas sobre as "grandes estrelas" do passado - constato que muitas cairam no esquecimento. Os seus nomes podem até soar a algo familiar, mas os seus feitos - aquilo pelo qual se tornaram famosos, acabam desconhecidos. Com o tempo, conhece-se um ou outro em particular, o que é totalmente redutor perante o panorama real do que foram essas conquistas no tempo em que ocorreram. 


Muitas das estrelas do cinema mudo, por exemplo, ou do cinema musical, se achavam a 5ª essência do mundo artístico. Estavam certas que deixariam uma marca na história do seu metier. Mas quem é que hoje conhece nomes como Jeanette MacDonald, Nelson Eddy, Jane Powell? E estes que atingiram estatuto de estrelas da dança e da música, tiveram muitos outros que os antecederam. Esses ainda mais perdidos na memória.

Porque é disso que se trata: memória. E esta só é razoavelmente boa durante uma a duas gerações. Depois vai sumindo, vira nevoeiro. 


Daqui a mais umas gerações, quem é que saberá ao certo porquê Amália, Eusébio são conhecidos? Elizabeth Taylor, Geen Kelly? E isto só ficando no patamar dos artistas mais conhecidos. Ficam de fora grandiosos de outras profissões não artísticas: médicos, políticos, filósofos, futebolistas, automobilistas, cientistas... Quem se lembrará porque é que o Marquês de Pombal é famoso, quando muitos nem sequer lhe conhecem o nome, só o título? Sim, sabem uma ou outra coisa cuja autoria lhe é atribuída. Mas e tudo o resto que também faz parte de uma pessoa? Família, inclinações políticas, prazeres... coisas que, não tão poucas vezes, ficam de fora dos livros de história? 

Por isto esta citação de João Perry chamou a atenção. A primeira parte "Não quero ser recordado" parece-me óbvia. A segunda, ainda mais: "nunca saberão quem fui!".

Sim, porque mesmo quem é idolatrado por multidões, muitas das vezes não o é por o que é, mas pelo que fez ou faz. Como idolatrar um ator, quando tão pouco se sabe sobre a pessoa? Pode-se gostar dos seus trabalhos, sentir alguma afinidade com algumas ideias, nem tanto com outras... Mas não se conhece uma pessoa assim. Portanto, ao ser "recordado", não está a o ser. 

E recordado para quê?

Por cá, todos os nossos "grandes" artistas homenageados com o seu nome em teatros ou ruas acabam por cair no esquecimento. Teatros então, alguns são uma tristeza de abandono... Cada vez que passava por um que ainda tinha as letras a dizer "Teatro Vasco Santana" fico a pensar na real importância que damos à sua pessoa como artista, para permitir que algo em sua homenagem não passe de escombros.


Temos o "Maria Matos", um nome vagamente recordado mas cujos feitos da artista cairam no esquecimento. Existiu a Laura Alves, que poucos conhecem hoje em dia. Perguntem aos jovens se sabem quem ela foi. E muitos outros, alguns que ainda andam por cá. Então concluo que ninguém, por melhor que seja, será eternamente recordado.

Ser recordado parece ser "empacotado" num rótulo onde muitos dos «ingredientes» ficam de fora. Uma pessoa é tão mais que isso.