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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Cultura, meus amores. Cultura


Saudade...

Mas o legado ficou.





segunda-feira, 12 de junho de 2017

O que os ingleses julgam de RUDE

Hoje um «chefe», meio a brincar - depois a sério, disse-me que eu fui rude por lhe ter apontado o dedo.

- Rude?!??!! - Repeti eu em espanto.
- Sim, apontar o dedo é rude.
- Não. Apontar não é rude.
- É considerado rude sim.
- OK...  

Este é um dos exemplos que posso dar para falar de uns comportamentos comuns que avisto por aqui que me têm estado a apoquentar. E acho que posso classificar todos eles nessa categoria hoje injustamente rotulada ao meu dedo: RUDEZA.

Mas primeiro quero descrever a circunstância em que «lhe apontei o dedo». Foi-me dito que precisava anotar numa folha as horas de trabalho porque (mais uma vez) a máquina que «pica o ponto» deixou de funcionar. Euzinha, sempre tão responsável, sempre preocupada e a tentar fazer o que é certo e o que me é pedido, pega na folha, numa caneta e trata de começar a escrever a hora de saída. Nisto vejo o «chefe» passar apressadamente à frente do balcão e vou para o chamar. Levanto o braço onde estou a segurar a caneta e levanto o meu dedo indicador ligeiramente - como as crianças fazem na sala de aulas da escola - onde são ensinadas que é da boa educação pedir a vez para falar, ora levantando o braço e abrindo a mão, ora pedindo "licença" como quem estica o dedo indicador para chamar um táxi ou para chamar o empregado de mesa.

Foi só isso. Na verdade, o gesto nem chegou a se finalizar. Só tive tempo de erguer o braço e o dedo no ar e de abrir a boca, porque não me lembrava do nome do chefe.

Mas se apontar o dedo é rude por estas terras, Ok...
Fiquemos com exemplos de pessoas rudes.










Sinto uma certa Dó por esta gente...
Parece que estão a querer ser «politicamente correctos» com tudo, acabando por remover as emoções boas das coisas, o calor humano dos gestos. Estão estilizados. Julgam-se livres mas estão socialmente reprimidos. E o que é pior: pegam em algo puro e inocente e conotam-lhe pecado - sinto dó deles.

São vários os exemplos que verifico no dia-a-dia que encaixam neste conceito.

Acho que apontar e agitar o dedo em riste durante uma discussão pode ser considerado rude. Pode até ser um prelúdio de violência. Mas à que distinguir as coisas!


Podem-se apontar dedos bons e dedos maus. E aqui não fazem isso. No UK um dedo apontado é um dedo apontado. Nem chega a ser "feio", como nós em Portugal ensinamos: «não apontes o dedo que é feio». Aqui é logo rude e dá à outra pessoa um argumento socialmente aceite de ter sido vítima de um gesto inadequado.

Em portugal é apenas feio. Apontar o dedo para indicar uma direcção ou a alguém é algo que se deve evitar. Mas isto de censurar um dedo apontado, é, a meu ver, uma regra arcaica, que suspeito ter tido origem na aristocracia e burguesia que se queria diferenciar socialmente dos pobres e lá estipulou como sinal de estatuto o dedo apontado. Porque os pobres e analfabetos tinham de comunicar por gestos para se fazerem entender. Eram os que usavam os punhos por não saberem resolver as suas diferenças só pelo poder da argumentação. Já os magistrados, os nobres, esses sabiam línguas, tinham muitas regras sociais a cumprir... a comunicação tinha que seguir protocolos verbais. Isso é que ficava bem.

É cómico, ridículo e até repulsivo que hoje se diga que a rudeza parte de quem aponta e não de quem o estipulou por razões tão infelizes.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Mário Soares


Mário Soares nunca teve papas na língua. Sempre disse o que tinha a dizer sem rodeios ou floreados.
Hoje em dia isso não é nada apreciado na sociedade. Não é só na política, onde todos são fingidos e cuidadosos, mas na sociedade em geral. A hipocrisia é valorizada quando comparada ao genuino, se apresentar o que as pessoas desejam ver, ouvir e sentir.


Bom, estou no momento a ver na RTP Memória aquele que deverá ter sido um debate televisivo mítico, entre os políticos Mário Soares e Álvaro Cunhal. Conheço pouco destes «tempos», pois não era nascida. O debate entre o então líder socialista e o secretário-geral do PCP ocorreu a 6 de novembro de 1975! E admirem-se lá: tem quase 4 horas de duração!

E no entanto, mal o sintonizei, já não me apetecia mudar de canal. Vejo melhor um debate destes do que perco alguns segundos a ver debates coloridos e em belos cenários, com guiões mentais e normas visuais, como aquele que se deu há semanas entre os então candidatos à Assembleia da República.

Este post tem como finalidade abordar algumas questões para além da qualidade e interesse dos debates políticos de há 40 anos e os de agora. Quero também falar do que mudou na sociedade e da forma como esta encara uma mesma pessoa (Mário Soares e Álvaro Cunhal).


Em 40 anos não me parece que o Mário Soares alguma vez tenha mudado a forma de ser ou de se expressar. Tem sido fiel a si mesmo, sem mudar conforme as conveniências (o que julgo ser uma qualidade, em princípio). No entanto, em 40 anos, mudou numa coisa: envelheceu.


E por ter envelhecido, leio comentários deixados no facebook aquando o homem visitou um amigo na cadeia que são verdadeiros crimes. Apelidam-no de "velho caquético" para pior. Não usam o seu nome para lhe fazer referência, nem a função que desempenhou, preferem apelidá-lo de "débil mental". Fazem montagens difamatórias em photoshop, como aquela do seu rosto num obeso porco, chamam-no de "múmia", "jurássico" e desejam que morra.

Com isto magoam todos os que rodeiam a figura e lhe querem bem, como a família, a respeitada esposa, filhos e netos. Esta falta de educação e respeito social sempre me deixou em estado de aflição. Esta vontade de maldizer as figuras públicas já de si é pavorosa. Mas esperar que uma pessoa chegue à terceira idade e apareça fisicamente debilitado para o achincalhar é de gentinha que não vale nada. Atacar uma pessoa só e exclusivamente porque ela é VELHA. Como se as pessoas envelhecessem por desleixo e tal «doença» não estivesse aqui a prometer chegar a todos nós. Até parece que ser-se velho e ser-se figura pública, dá legitimidade ao povo para praticar um achincalhamento deste calibre. E se o "velho" decidir não ficar parado, continuar a ter uma opinião, pronto: então sofrerá ataques sem dó ou piedade. Uma prática de bulling que não é ainda apontada, mas existe.


E o pior é que as pessoas que cometem estas atrocidades não têm noção alguma do que estão a fazer. Pensam que "não tem mal", passam este tipo de má formação aos filhos e assim se cria uma sociedade doente nos alicerces. E depois estas mesmas pessoas admiram-se que a sociedade priveligie a beleza e a juventude. Ou não respeite os idosos. Esta gente que pratica bulling cibernético por uma pessoa ser idosa esquece que o destino pode reservar-lhe algo parecido. Não tem lógica o homem não morrer jovem e por isso ser achincalhado!


Álvaro Cunhal, o outro protagonista neste debate que ainda estou a ouvir, não me parece estar a ter um tão bom desempenho retórico. Algumas coisas que diz não me parecem ter recebido grande simpatia. Conheço pouco da história de Álvaro Cunhal, que faleceu há 10 anos. Mas sei que foi uma "figura". Já cheguei à idade adulta ouvindo referências muito respeitosas a seu respeito. Ficou na história da política do país e foi classificado como uma figura MÍTICA do panorama político, em particular pelo partido comunista. Dele só soube que era uma "grande figura", respeitada e colocada num patamar superior. Do pouco que o vi na TV quando ainda estava vivo, falava com poucas palavras - o oposto do que estou a ouvir agora. Mantinha-se um pouco «à parte» das confusões, mas era "hateado" como uma bandeira partidária. O que só contribuiu para que mantivesse uma áurea de mistério e de miticismo. Morreu, em 2005, com 91 anos.

Que sorte teve ele, em ter nascido mais cedo e ter morrido com mais idade do que aquela que o Mário Soares tem hoje! Porque faleceu numa altura em que o achincalhamento social não tinha ainda ganho tanta projecção. O facebook tinha sido FUNDADO a 4 de Fevereiro de 2004 e Álvaro Cunhal faleceu a 13 de Junho de 2005. Não viveu na época da internet "mais veloz", dos plasmas, tablets e dos telemóveis 3G. E com isso, não teve «tempo» para envelhecer diante dos olhos do Grande Público que tem um teclado debaixo dos dedos e que certamente o iria achincalhar por ser uma pessoa que envelheceu e "ousa" emitir opiniões.

Sabem uma coisa? Sempre me perguntei porque é que pessoas que trabalharam com grandes nomes das artes e ainda estão vivas, porquê não veem elas a público contar um pouco aquilo que viveram? Na primeira pessoa, contar como era a vida «naquele tempo», na década de 40, 50... Quem eram, de facto, as pessoas de quem hoje só conhecemos uma «imagem» ou uma «reputação que prevalece» como oficial.

Noutro dia vi na RTP um filme com uma interpretação espetacular, sublime do ator Anthony Hopkins.  Nunca antes tinha visto alguém imitar tão na perfeição e com aparente falta de esforço a figura que foi Alfred Hitchcock (cujas séries televisivas que apresentava tive o prazer de ver em criança). Hopkins conseguiu reproduzir na perfeição os maneirismos, o tom da voz (dificílimo), a forma de pronunciar as palavras e até fisicamente a figura que foi Hitchcook.

Contudo, fica a dúvida: quem foi realmente Alfred Hitchcock? O que separa a realidade do mito? A sua reputação de diretor implacável, torturoso e obcecado pelas suas atrizes principais, têm mesmo razão de ser? Até que ponto? 

Ninguém está vivo para contar, certo? Errado! Há sempre alguém que ainda é vivo... Mas não o será por muito mais tempo. E estes casos têm se repetido no que respeita a pessoas que conheceram figuras míticas das artes ou da sociedade em geral. Pensamos que já não "sobrou ninguém" porque são todos falecidos, mas tal não é verdade. Então, porque não falam? 


Pesquisei pelo nome da atriz que Hitchcock pretendia contratar para interpretar a protagonista do filme Psico: Vera Miles. Como a atriz engravidou, ele a dispensou e dizem que passou a tratá-la muito mal. Queria transformá-la na sua estrela pessoal. E ela, afinal, tinha marido e relembrou-o disso ao aparecer grávida (do segundo filho e esposo!). Vera é viva. E recusa-se a falar da sua vida naquele tempo. Dizem que a celebridade nunca foi o seu objectivo. Sempre quis ser uma atriz respeitada e não uma estrela. Mas ela não é a única ex-atriz coquete de Hitchchock que vive. Eva Marie Saint, que interpretou a protagonista do filme Intriga Internacional também cá está. Bolas! Até Olivia De Havilland (99 anos) que em 1939 interpretou Melanie em "E Tudo o Vento Levou" está viva! E estes são apenas três exemplos de grandes mulheres que um dia maravilharam multidões no grande ecrã, que ainda respiram e têm memórias. Contudo, são pacatas e  viveram as últimas décadas praticamente como reclusas.


Da forma como a sociedade está, agora entendo porquê. Estão muito velhas e a sociedade prefere recordar a beleza de uma mulher jovem a ver uma idosa sem dentes ou cabelo. Ainda que se mantenha uma sociedade deslumbrada por tudo o que tenha sido sucesso e seja vintage (não velho, atenção!), a sociedade também anda muito cruel. Uma Brigitte Bardot jovem é idolatrada, mas uma idosa é ridicularizada por estar velha e não ser atraente e pela sua preocupação imensa para com os animais domésticos ou, simplesmente, permanece recordada parada no tempo, como uma eterna sex symbol. 

Bom, me desculpe quem tenha lido TUDO ISTO  porque é muito texto, mas apeteceu-me abordar todos estes temas com base neste «estímulo» do debate televisivo de há 40 anos. Podem ser muitas palavras, mas acho que têm fundamento. 

Álvaro Cunhal faleceu com 91 anos e sua imagem foi respeitada. Mário Soares pode até sofrer o mesmo destino e vir a falecer com a mesma idade (faltam meses para chegar aos 91). Mas já não terá a sorte de ter vivido numa época em que as redes sociais mal existiam. E por isso tem sentido na pele o que é existir uma nova forma de se ser insultado. Como político e ex-perseguido deve ter criado uma carapaça bem dura a respeito de ofensas verbais. Mas as redes sociais facilitaram bastante as mesmas e as espalham de uma forma muito cruel e com uma rapidez assustadora. Um veículo excelente para mentiras e propaganda. 

domingo, 9 de agosto de 2015

O que fazemos das nossas vidas

POR DETRÁS DA VIDA DE UMA MÚSICA


Quando ouvi esta música que volta e meia passava na rádio, não sabia que o cantor era o Patrick Swayze, um ator que começou nas artes como bailarino, sendo filho de bailarina, e também havia sido jogador de futebol americano no liceu, até uma lesão no joelho terminar com os seus sonhos de se tornar profissional. Fiquei um pouco surpresa, porque não diria que a voz era destreinada, não achei tão mal quanto costuma ser o caso de atores que se põem a cantar. Porque será que ele não gravou mais canções?

O filme ao qual a música pertence chama-se Dirty Dancing. A fama da película tinha chegado muito antes do filme passar na televisão. Assim como todo o delírio juvenil feminino em torno do "garanhão" Swayze. Contudo, quando o vi, não achei nem um nem outro nada de especial.

Swayze conhecia como ator de uma das minhas séries de TV favoritas: Norte e Sul. A sua personagem sulista inesquecível, o sofrimento naquele olhar de alma atormentada era um charme.

Nesta série, depois da guerra americana da sucessão, depois de ter regressado aleijado na perna, mas principalmente, depois de ter perdido o amor de Madelaine, Orry Maine (personagem de Sawyze) isola-se de todos, ficando dependente da bebida e algo violento. É a mãe, a actriz Jean Simmons, intérprete de filmes como o primeiro "Lagoa Azul" e "O Egípcio" que o tenta trazer à razão, pois percebe que o filho vai beber até morrer.

Na vida real, tanto Sawyze quanto Simmons conheciam bem a dependência do álcool.
Ambos haviam sofrido de alcoolismo antes de chegarem a estas personagens. O Orry Maine alcóolatra era assustador. Não tinha nada parecido com o lado romântico da personagem. Ficava igual ao seu antagonista, o terrível Justin, vivido brilhantemente por David Carradine.

Patrick Sawyze além de ser um artista multi-interessado (foi ele que compôs esta música junto com Stacy Widelitz) era também uma alma multi-atormentada. Cheia de "demónios". Volta e meia, a bebida era um deles. 
Também era um fumador compulsivo. Mal apagava um cigarro, acendia outro. Nem depois de diagnosticado com cancro no pâncreas parou com os seus vícios, embora também isso tenha procurado ocultar. Para o final, criava cavalos no seu rancho, onde vivia com a mulher pela qual se apaixonou à primeira vista aos 18 anos, na sala de ballet da escola da sua mãe. Nunca tiveram filhos. Dizia que tinha medo de olhar para si próprio e descobrir o que havia lá dentro. 

Suspeito que temia ser "sensível" demais, ou melhor, ser gay ou bi, ou mesmo ter uma natureza agressiva e destruidora. Tinha sede por variedade e sede por estabilidade. A sua semelhança de rapaz nascido e criado no Texas com o sulista esclavagista Orry Maine não era tão distante assim. 

O ator morreu aos 57 anos, a mesma idade com que o pai havia falecido anos antes. Essa perda que ele achou prematura e foi inesperada, levou-o ao consumo abusivo de bebida. Desconheço se também lidou com drogas mas o mais certo é que sim. Era uma alma inclinada a experimentar de tudo. Na arte e no veneno. \Tudo o que ele fazia, tudo o que o inspirava, ele creditava na esposa. Inclusive esta música, que compôs a pensar nela. 



A OUTRA VOZ

A outra intérprete desta canção chama-se Wendy Fraser. Ao escutar a música fiquei a pensar porquê a sua potente voz só é escutada quase para o final. Como que um complemento que, contudo, cai bem. Googlei e a wikipédia contou-me a fascinante história desta compositora. Nascida na Tanzania, havia sido jogadora de hóquei, foi também atleta olímpica em 88 e 1992, e "virou-se" para a composição de temas musicais. Tem preferência por jazz. Lançou uma álbum em 1997 e o que fez desde então, desconheço. Ainda é viva e provavelmente, canta.


O que acho fascinante são as histórias de vida destas pessoas. Não parecem pertencer a uma vida só, mas a de muitas. Suspeito que é suposto todas as vidas serem vividas assim. 






quinta-feira, 13 de março de 2014

O governo pode já passar a máquina de quatro rodas para cá!

O título para este post quase esteve para ser "I think I may have a problem" mas além do estrangeirismo ser desnecessário surgiu de imediato outro bem melhor! Trata-se do seguinte.... I may have a problem (posso ter um problema) a respeito disto:


Tenho tendência para GUARDAR TUDO o que é papel com valores de despesas. Isto na imagem são recibos e talões, de tudo e mais alguma coisa. Cada vez que tenho esses papéis não sou capaz de os amarrotar e deitar fora. Coloco-os de parte. Como se achasse que poderão vir a ser úteis, porque são datados, porque são um registo. Uma espécie de tesouro epistemológico, um link, uma janela para o passado... Onde estava eu em Janeiro de 2008? Não faço ideia! Mas por vezes ao encontrar um papel qualquer destes me surpreendo com a história que ele conta. Por exemplo: dentro de um livro encontrei um muito bem conservado talão de hipermercado do ano... 2000! Com cores vibrantes como se tivesse acabado de ser impresso. É uma autêntica viagem ao passado. Além de suspirar por uma taxa de IVA mais baixa, tudo era tão mais barato. E os preços ainda vinham em escudos e euros! Achei que só por esse detalhe estava a olhar para um papel que convinha ser guardado. Uma relíquia histórica. 

LOL! 
Ou então tudo não passa de lixo e se lixo tiver valor será daqui a uns bons anos... Não agora. No entanto ainda não é hoje que estes papéis vão para o lixo. Deixa-os estar que quando tiver tudo organizado então perderei algum tempo a tratar deles. Entretanto por vezes descubro o recibo de alguma coisa que ainda tenho e me surpreende a data de compra. Faço assim pequenas e rápidas incursões ao passado. 

Mas por ter esta «qualidade» há anos, o governo bem que podia passar imediatamente para cá aquele automóvel! O tal, prometido a sorteio a um contribuinte qualquer que guarde as suas facturas... Acho que sou claramente a vencedora! ;)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

São Saudosistas?

Vocês são saudosistas?
Eu acho que sou um pouco. Mas não na perspectiva de quem deseja voltar atrás, mas na de quem aprecia as histórias que os lugares, pessoas e objectos carregam. E é por isso que vou sentir saudade do antigo cartão de identificação Português - o tão conhecido BI (Bilhete de Identidade).


Nenhum miúdo nascido neste século XXI sabe o que é um BI e contudo é uma expressão tão fácil e familiar a tantos. Mas não a eles. Eles conhecem o cartão de cidadão e nunca foram portadores de um BI - aquele cartão de papel plastificado grande, que levantou suspeitas a grande parte das autoridades a quem o mostrei aquando viagens em aeroportos e entre países desenvolvidos Europeus. Inesquecível a incredulidade de um fiscal Francês, que suspeitou do cartão de identificação que lhe mostrei. Nunca tinha visto um. Estava a duvidar. Logo em França! Onde a comunidade portuguesa é significativa. Ou no balcão de check-in da KML no aeroporto de Amesterdão, em pleno 2005. É caso para dizer que o atraso e o desconhecimento anda por toda a parte e mesmo em profissões que não o deviam ter :)

E são por "coisinhas assim" que sinto pena que algumas coisas acabem. Mas a vida é assim mesmo. Meus avós tiveram de se acostumar ao BI, meus bisavós então nem sei se chegaram a ter um (eu bem que procurei) ou se apenas eram detentores das Cédulas Pessoais, e agora as crianças nasceram já portadoras do Cartão de Cidadão. A pesar de terem surgido em 1914 (fui agora pesquisar e a quem me lê é «obrigatório» visitar o blogue onde recolhi a posterior informação), só começaram a ser obrigatórios em 1927 (para quem trabalhava aparentemente) e só em 1970 é que os BIs começaram a ter o aspecto que agora ainda lhes conhecemos: grandes e em papel plastificado. Meus avós ainda tiveram uns escritos à mão, mas rapidamente passaram a ser dactilografados. 

E pronto. É esta a história "saudosista" que me apeteceu deixar aqui hoje para quem me lê. No fundo, é só um registo, um "adeus" a algo que se vai e que merece por isso mesmo, receber uma "homenagem". Adeus BI... a vida agora é electrónica e tu não cabes mais nela. Adeus «amigo», que tantas vezes precisei de ti para me matricular na escola e que ainda muito me acompanhaste, junto com o cartão em papel branco de eleitor, para que pudesse votar em quem escolhia para governar este país.  ;)