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sábado, 27 de outubro de 2018
Porquê preciso de ser rica...
Vi uma caneta de que gostei. Porque não comprar?
Afinal, o que custa ter UMA coisa por prazer?
Custa quase 200 euros.
Uma caneta!
Se isto é por uma caneta, imaginem se "ousar" ir mais longe...
Nunca terei aquilo que me atrai.
Muitas coisas queria-as na juventude. Só fazem sentido assim.
Ainda a adiar...
O quê?
No túmulo vai ser útil uma caneta destas? Kkkk
É no túmulo que vou usar roupas impecáveis?
Provavelmente, sim!
Alguém sabe como tornar os rendimentos actuais 500 vezes superiores?
quinta-feira, 26 de maio de 2016
Veganismo vem com Pedantismo?
A propósito de um shiuu e outras páginas na net que calho encontrar, esta semana tenho me deparado com o tema do veganismo.
O que é? Pessoas que não consomem carne. Preferem comer apenas vegetais e até cortam qualquer material originário de animais das suas vidas.
A polémica em torno do se ser vegan não está na opção, mas na forma como alguns se apresentam ao mundo. É comum, como encontrei num segredo shiuu, a pessoa achar que a escolha que tomou a faz melhor que os outros e critica com alguma ferocidade aqueles que são "comedores de carne". Quase sempre evocando o sofrimento do animal, quase que a chamar de canibais e a dizer mesmo que são iguais a assassinos os que consomem qualquer produto carnívoro, até mesmo leite.
É uma postura desagradável, sem dúvida. Que tem laivos de pedantismo, arrogância e extremismo.
Mas fiquei a reflectir neste assunto - que jamais terá um consenso - e cheguei a uma abordagem que penso ser pouco vista pela maioria. Há duas razões que podem levar uma pessoa a decidir-se em optar por este life-style. Uma é a saúde, o não apreciar carne e se preocupar com os perigos da mesma - a que, infelizmente, penso ser a razão mais rara e mais atribuída ao vegetarianismo. Outro motivo completamente diferente é se achar um defensor da vida, um justiceiro numa cruzada a favor dos oprimidos animais. E ao se ver pecado, crime... então não se está muito distante da radicalização. E aí é que está o problema... a meu ver.
Se a opção foi tomada por esta "consciência", então não adianta muito tentar o diálogo, porque são formas de ver diferentes e uma é totalmente inflexível e unilateral. Tem raiz assente numa ideologia utópica.
Eu me compadeço com o sofrimento de tudo o que é criatura viva, mas não sou de radicalismos ao ponto desse ser o motivo para eliminar "a morte" da minha vida. Até porque não acredito minimamente que se tornar vegan faça qualquer diferença no mundo que os próprios tentam combater. Nem a mínima.
Pode fazer nas suas consciências. Num caso pontual. Mas no mundo? Só as catástrofes têm esse efeito. O problema na postura radical do vegan é mostrar-se capaz de adorar um surto da doença das "vacas loucas" só para hastear a bandeira da sua "correta postura" na vida. O problema é alguns dizerem e acreditarem realmente que "se matas" (comes carne) mereces "ser matado".
Porque foi isto que surgiu comigo, durante uma conversa nada a ver com nada a respeito deste assunto. Estava num site onde vejo programas sobre investigações de homicídios e num caso em que uma jovem atacada por um serial killer consegue estoicamente sobreviver, uma pessoa (que imaginei muito jovem) comenta: "É lamentável que a comedora de carne não tenha sido assassinada!".
Pacientemente lá tentei entrar num diálogo tranquilo e transparente sobre a abordagem do indivíduo. Acredito que mais pessoas poderiam optar por este estilo de vida se não fosse por esta tristeza de comentário e postura violenta. Para quem apregoa "não-violência e compaixão" desejar que um ser humano fosse assassinado é uma emoção vil. Parece que estas emoções de compaixão e não violência apregoadas pelos vegan destinam-se exclusivamente aos animais, não às pessoas. A menos que façam parte do seu «grupo» eleito.
Já o "comedor de carne" sente compaixão generalizada, no meu entender, seja por animal ou humano. Não deixa de comer carne, mas compadece-se com o sofrimento que encontra e age diante do que vê. Não diante do que não vê, é verdade. Mas quem ousa dizer que uma forma é mais legítima que outra? O vegan ousa, porque é a essência da sua postura ideológica.
Parece-me que se compadecem mais com o que não vêem, com o que imaginam, o que leram e ouviram, no que acreditam e até pode se tudo verdade. Não digo generalizada, porque isso em si é uma falácia. Nem todos os matadouros são cruéis no acto de sacrificar o animal pela sua carne. As leis desenvolveram-se ao longo dos tempos para se humanizarem diante desta dura realidade. Podiam muito bem não ter dado "cavaco" mas a sociedade humanizou-se nesse sentido. Por muito que o vegan proteste, não pode salvar um único animal do abate. E por isso a sua opção de vida não deixa de ser hipócrita. Perseguem os indivíduos e não poupam um único animal. Pode fazer a pessoa sentir-se muito bem - consigo compreender isso. Mas na prática, é muito alarido para nada...
Vou comparar - já que em termos de comparações alguns vegan não colocam limites, com o expansionismo marítimo e o crescimento da escravatura. Ninguém na minha árvore genealógica alguma vez possuiu um escravo e, que eu imagine, penso que ninguém tenha legalmente sido um. MAS... ainda que eu, se vivesse nesse tempo, fosse contra a escravatura - como muitos decerto o eram, o que é que me adiantaria levantar cartazes, usar t-shirts, entrar numa de insultar os escravagistas? Fazemos uma ideia quase romântica das razões que conduziram ao fim da legalização da escravatura. Mas na realidade, por muito que se protestasse, esta terminou quando deixou de ser rentável. Quando OUTRA coisa veio tomar o seu lugar.
E é assim que tudo muda neste mundo.
Arranje-se outra forma igualmente lucrativa de comercializar alimentos sem que esta implique produção em excesso. O que significa, no caso dos animais, o fim da morte em excesso. E no caso dos não animais a mesma coisa. É por aí que se pode fazer a diferença.
O resto é como o Lobo Mau... sopra, sopra, irrita-se, briga mas... a casa não vem abaixo.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Televisão é ver o telejornal
Abri uma revista com aqueles questionários "pergunta-resposta" e deparei-me com:
P- "O que não perde na televisão"?
R - "O telejornal todos os dias, para estar actualizado".
Que resposta mais antiquada! Mas isto ainda existe???
Cheguei à conclusão de que andei sempre um pouco na vanguarda das tendências porque, muito sinceramente, nunca me preocupei em ver o Telejornal todos os dias! E não tinha problemas em dizê-lo.
No entanto, há 5 ou 10 anos, não ver o telejornal tinha uma conotação muito negativa. Na década de 90 eras mesmo quase ostracizado por te faltar esse hábito. Ninguém gostava que se descobrisse que não se era espectador do Telejornal. Era tabu! Ainda assim, não tinha porquê sentir vergonha em dizê-lo. Certamente não ia mentir, como a maioria da população portuguesa. Fosse a quem fosse que se perguntasse na rua o que não perdia na televisão, a resposta foi sempre "O Telejornal". Era a resposta segura, politicamente correcta, ninguém ia fazer pouco de ti por assistires a um programa informativo! No entanto, se a opção fosse para o entretenimento, a coisa não era bem vista. Por isso, alguns dos entrevistados de rua quando confrontados com a pergunta, "disparavam" de imediato o Telejornal e depois, como que a confessar o verdadeiro interesse, acrescentavam outro programa. Alguns homens complementavam a resposta com uma partida de futebol, que só lhes ficava bem. Mas jamais diziam que viam uma novela. Iam ser gozados e sentiam-se diminuídos. As telenovelas eram assistidas pelas mulheres! Era este o ambiente PRECONCEITUOSO que pautou, durante décadas, o colectivo. Algumas mulheres lá complementavam a resposta com "a telenovela", como que a confessar só então o que realmente não perdiam na televisão. Algumas sentiam, ainda assim, necessidade de se justificarem com "porque dá a seguir ao telejornal", ou "só de vez em quando".
Claro que, no meio disto tudo, havia quem realmente visse o Telejornal, mas a grande maioria regia o seu comportamento por estas hipocrisias sociais. Socialmente aceite era ver o Telejornal das oito (20h00), ver informação. O entretenimento era visto com piores olhos. O que mudou desde então!!
A meu ver, eram todos fracos, incapazes de assumir o que realmente gostavam por temerem o julgamento dos outros. Muitos, quando confrontados com os factos que se estavam a passar no mundo, nem sempre se saiam bem com as respostas. Um teste que rapidamente denunciava a falta de hábito de acompanhar as notícias pela televisão.
Agora tudo mudou. E tudo começo com a SIC, o primeiro canal independente de televisão. Só mesmo quem gostava e acompanhava a história da televisão antes e depois desta mudança social, sabe o quanto TUDO MUDOU desde então. Podemos até nos esquecer, mas a televisão é a responsável por grandes mudanças no mundo e na sociedade. De vez em quando, lá vem ela "agitar" as águas mais um pouco...
Não tenho dúvidas que esta próxima era pertence à internet e às novas tecnologias. Eu própria sou incapaz de ver televisão sem ter um teclado de computador agarrado à ponta dos dedos. O hábito de assistir televisão alterou-se por completo. Tenho saudades de estar sentada ou deitada e simplesmente ver um programa ou filme na televisão. Sem fazer mais nada! Mas tenho sempre outros interesses aos quais quero me dedicar e acabo por fazer mais que uma coisa ao mesmo tempo. Ver televisão e só televisão, é um hábito perdido, que já me deixa saudades, como afirmei. Bem que tento ver só "aquele programa", dando-lhe a máxima atenção, mas nunca que o computador abandona o colo ou está desligado...
Voltando ao Telejornal, de facto, nunca adquiri o hábito de ver o telejornal. Na verdade, era algo que me afligia desde muito nova. Não compreendia como, depois de ver imagens de crianças africanas a morrer à fome, as pessoas podiam retomar o seu quotidiano sem se sentirem afectadas. Deve ter começado por aí mas, na verdade, para quem não se importava de perder o Telejornal e preferia fazer outras coisas àquela hora da noite, a verdade é que não me sentia assim tão necessitada daquele bloco informativo para ficar minimamente a saber o que se passava pelo mundo. As notícias correm e sabem-se sem existir necessidade de as ver na televisão. Hoje em dia isto é ainda mais verdade, mas na década de 90 não havia a internet com motores de busca como o Google para pesquisar notícias! (A sociedade prepara-se para grandes mudanças nos hábitos de consumo!). E gostava de ver televisão pelas horas a dentro, de madrugada. Hábito mais comum agora e já há algum tempo, mas não tanto quanto antes. Por isso, agradava-me muito mais os blocos informativos "directos ao ponto" que passavam à uma hora da manhã. Se calhasse dar com um e este puxasse o meu interesse, não tinha porque não ver. Mas sintonizar propositadamente a televisão por isso, não era meu hábito.
Em televisão vi tudo: foi ela que me "ensinou e educou", foi babysitter. Preferia o entretenimento e essa é uma tendência compreensível. Quem não gosta de descontrair e tentar esquecer o que lhe angustia? Rir é o melhor remédio! O que via na televisão? Bem, tudo, na verdade! Desde aqueles documentários que muitos achavam enfadonhos e desinteressantes às telenovelas. Sim, eu via todas as telenovelas que passavam nos dois canais de televisão que existiam na altura. Não excluía a RTP2, como muitos faziam por preconceito ou preguiça de mudar de canal, pois era considerada elitista, um canal para "homens" ou "intelectuais", porque passava muito desporto, programas e filmes culturais. Tanto um quanto outro tinham coisas interessantes e variadas. Incluindo novelas.
As telenovelas é outro género televisivo vítima de preconceito. Lembro-me tão bem de andar na escola e já na época em que a SIC e a TVI davam os primeiros passinhos e ouvir uma colega perguntar a todos se viram o episódio da novela na véspera, toda entusiasmada e a querer comentar a história. Mas jurava a pés juntos que não via telenovelas! Sabia quem eram as personagens, qual o papel delas na história e tinha muita ânsia para debater a trama com outros, mas NÃO VIA A TELENOVELA! Ora justificava-se que tinha sido "só ontem", ou logo dizia que só conhecia o nome da personagem porque a avó via a novela, tinha a televisão ligada e ela como que era obrigada a ouvir! Mas sempre dizia que não as via e delas não gostava.
Hipócrita! Esta era mais uma que só via o telejornal...
Um homem ou o público em geral só admitia ver uma telenovela, quando esta era um MEGA ÊXITO, comentada por toda a parte, daquelas em que as personagens saltam do ecrã para verem os seus hábitos inserirem-se no quotidiano da sociedade. "Estou certo, ou estou errado"?, "Nos trinques!" - são duas expressões que andavam na boca de toda a gente na década de 80 para 90, graças a personagens de telenovelas como Sinhozinho Malta, da novela "Roque Santeiro" (1988/89) ou de Timóteo de Alenquer da telenovela Tieta (90/91), uma novela que mexeu completamente com a sociedade portuguesa. Ninguém se importava de admitir que a assistia. Fez furor, motivou discussões e pôs o país inteiro a ouvir a sua banda sonora e a tentar descobrir quem era a mulher de branco (personagem misteriosa dentro da trama).
Mas como tudo isto era entretenimento... todos sintonizavam a televisão para não perderem o TELEJORNAL!
Pelos vistos e a concluir pela resposta a este questionário, algumas pessoas em algumas zonas do país, ainda se sentem compelidas a colocar em primeiro lugar e como resposta aceitável, o TELEJORNAL como o programa a não perder na televisão. E para quê? Para estar actualizado! Não para se manter, mas para ficar... LOL!
E os telejornais? O que mostram?
P- "O que não perde na televisão"?
R - "O telejornal todos os dias, para estar actualizado".
Que resposta mais antiquada! Mas isto ainda existe???
Cheguei à conclusão de que andei sempre um pouco na vanguarda das tendências porque, muito sinceramente, nunca me preocupei em ver o Telejornal todos os dias! E não tinha problemas em dizê-lo.
No entanto, há 5 ou 10 anos, não ver o telejornal tinha uma conotação muito negativa. Na década de 90 eras mesmo quase ostracizado por te faltar esse hábito. Ninguém gostava que se descobrisse que não se era espectador do Telejornal. Era tabu! Ainda assim, não tinha porquê sentir vergonha em dizê-lo. Certamente não ia mentir, como a maioria da população portuguesa. Fosse a quem fosse que se perguntasse na rua o que não perdia na televisão, a resposta foi sempre "O Telejornal". Era a resposta segura, politicamente correcta, ninguém ia fazer pouco de ti por assistires a um programa informativo! No entanto, se a opção fosse para o entretenimento, a coisa não era bem vista. Por isso, alguns dos entrevistados de rua quando confrontados com a pergunta, "disparavam" de imediato o Telejornal e depois, como que a confessar o verdadeiro interesse, acrescentavam outro programa. Alguns homens complementavam a resposta com uma partida de futebol, que só lhes ficava bem. Mas jamais diziam que viam uma novela. Iam ser gozados e sentiam-se diminuídos. As telenovelas eram assistidas pelas mulheres! Era este o ambiente PRECONCEITUOSO que pautou, durante décadas, o colectivo. Algumas mulheres lá complementavam a resposta com "a telenovela", como que a confessar só então o que realmente não perdiam na televisão. Algumas sentiam, ainda assim, necessidade de se justificarem com "porque dá a seguir ao telejornal", ou "só de vez em quando".
Claro que, no meio disto tudo, havia quem realmente visse o Telejornal, mas a grande maioria regia o seu comportamento por estas hipocrisias sociais. Socialmente aceite era ver o Telejornal das oito (20h00), ver informação. O entretenimento era visto com piores olhos. O que mudou desde então!!
A meu ver, eram todos fracos, incapazes de assumir o que realmente gostavam por temerem o julgamento dos outros. Muitos, quando confrontados com os factos que se estavam a passar no mundo, nem sempre se saiam bem com as respostas. Um teste que rapidamente denunciava a falta de hábito de acompanhar as notícias pela televisão.
Agora tudo mudou. E tudo começo com a SIC, o primeiro canal independente de televisão. Só mesmo quem gostava e acompanhava a história da televisão antes e depois desta mudança social, sabe o quanto TUDO MUDOU desde então. Podemos até nos esquecer, mas a televisão é a responsável por grandes mudanças no mundo e na sociedade. De vez em quando, lá vem ela "agitar" as águas mais um pouco...
Não tenho dúvidas que esta próxima era pertence à internet e às novas tecnologias. Eu própria sou incapaz de ver televisão sem ter um teclado de computador agarrado à ponta dos dedos. O hábito de assistir televisão alterou-se por completo. Tenho saudades de estar sentada ou deitada e simplesmente ver um programa ou filme na televisão. Sem fazer mais nada! Mas tenho sempre outros interesses aos quais quero me dedicar e acabo por fazer mais que uma coisa ao mesmo tempo. Ver televisão e só televisão, é um hábito perdido, que já me deixa saudades, como afirmei. Bem que tento ver só "aquele programa", dando-lhe a máxima atenção, mas nunca que o computador abandona o colo ou está desligado...
Voltando ao Telejornal, de facto, nunca adquiri o hábito de ver o telejornal. Na verdade, era algo que me afligia desde muito nova. Não compreendia como, depois de ver imagens de crianças africanas a morrer à fome, as pessoas podiam retomar o seu quotidiano sem se sentirem afectadas. Deve ter começado por aí mas, na verdade, para quem não se importava de perder o Telejornal e preferia fazer outras coisas àquela hora da noite, a verdade é que não me sentia assim tão necessitada daquele bloco informativo para ficar minimamente a saber o que se passava pelo mundo. As notícias correm e sabem-se sem existir necessidade de as ver na televisão. Hoje em dia isto é ainda mais verdade, mas na década de 90 não havia a internet com motores de busca como o Google para pesquisar notícias! (A sociedade prepara-se para grandes mudanças nos hábitos de consumo!). E gostava de ver televisão pelas horas a dentro, de madrugada. Hábito mais comum agora e já há algum tempo, mas não tanto quanto antes. Por isso, agradava-me muito mais os blocos informativos "directos ao ponto" que passavam à uma hora da manhã. Se calhasse dar com um e este puxasse o meu interesse, não tinha porque não ver. Mas sintonizar propositadamente a televisão por isso, não era meu hábito.
Em televisão vi tudo: foi ela que me "ensinou e educou", foi babysitter. Preferia o entretenimento e essa é uma tendência compreensível. Quem não gosta de descontrair e tentar esquecer o que lhe angustia? Rir é o melhor remédio! O que via na televisão? Bem, tudo, na verdade! Desde aqueles documentários que muitos achavam enfadonhos e desinteressantes às telenovelas. Sim, eu via todas as telenovelas que passavam nos dois canais de televisão que existiam na altura. Não excluía a RTP2, como muitos faziam por preconceito ou preguiça de mudar de canal, pois era considerada elitista, um canal para "homens" ou "intelectuais", porque passava muito desporto, programas e filmes culturais. Tanto um quanto outro tinham coisas interessantes e variadas. Incluindo novelas.
As telenovelas é outro género televisivo vítima de preconceito. Lembro-me tão bem de andar na escola e já na época em que a SIC e a TVI davam os primeiros passinhos e ouvir uma colega perguntar a todos se viram o episódio da novela na véspera, toda entusiasmada e a querer comentar a história. Mas jurava a pés juntos que não via telenovelas! Sabia quem eram as personagens, qual o papel delas na história e tinha muita ânsia para debater a trama com outros, mas NÃO VIA A TELENOVELA! Ora justificava-se que tinha sido "só ontem", ou logo dizia que só conhecia o nome da personagem porque a avó via a novela, tinha a televisão ligada e ela como que era obrigada a ouvir! Mas sempre dizia que não as via e delas não gostava.
Hipócrita! Esta era mais uma que só via o telejornal...
Um homem ou o público em geral só admitia ver uma telenovela, quando esta era um MEGA ÊXITO, comentada por toda a parte, daquelas em que as personagens saltam do ecrã para verem os seus hábitos inserirem-se no quotidiano da sociedade. "Estou certo, ou estou errado"?, "Nos trinques!" - são duas expressões que andavam na boca de toda a gente na década de 80 para 90, graças a personagens de telenovelas como Sinhozinho Malta, da novela "Roque Santeiro" (1988/89) ou de Timóteo de Alenquer da telenovela Tieta (90/91), uma novela que mexeu completamente com a sociedade portuguesa. Ninguém se importava de admitir que a assistia. Fez furor, motivou discussões e pôs o país inteiro a ouvir a sua banda sonora e a tentar descobrir quem era a mulher de branco (personagem misteriosa dentro da trama).
Mas como tudo isto era entretenimento... todos sintonizavam a televisão para não perderem o TELEJORNAL!
Pelos vistos e a concluir pela resposta a este questionário, algumas pessoas em algumas zonas do país, ainda se sentem compelidas a colocar em primeiro lugar e como resposta aceitável, o TELEJORNAL como o programa a não perder na televisão. E para quê? Para estar actualizado! Não para se manter, mas para ficar... LOL!
E os telejornais? O que mostram?
Publicada por
Alfacinha de Portugal
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18:11
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