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terça-feira, 1 de maio de 2018

Olá. Posso ajudar?


O meu trabalho consiste em informar turistas sobre viagens, transportes, pontos de turismo, hoteis, etc.

Muitas vezes alguém apressado aproxima-se e antes de parar já está a «arrancar» e a querer a resposta à pergunta que lançou ao ar. São os apressados. Os que percebem que têm de estar em algum lugar depressa e se vêm com pouco tempo. Uns correm que nem baratas tontas de um lado para o outro. Ao avistá-los, ofereço ajuda mas estão com demasiada pressa e por isso fingim não ouvir e seguem caminho. Julgam que disponibilizar tempo para me ouvir é... perda de tempo. 

Mas sabem o que descobri?
Ganha-se tempo. Na realidade, pode-se até ganhar bastante tempo se se parar para pedir informações. Basta aguardar apenas cinco segundos que podem fazer a diferença. Dar cinco segundos, meio minuto, para que a informação possa ser emitida e assimilada não é perder tempo. É recuperá-lo. 

Na pressa o que vejo são pessoas que, mesmo recebendo direcções exatas, vão enfiar-se nos lugares errados. Mas as que considero piores são aquelas pessoas a quem perguntas se podes ajudar e elas ficam paradas a fingir que não te ouviram. 

Ignoram-te. Isso para mim é de tão má educação.

Por vezes não volto a oferecer. E vejo-as ali, a tentar descobrir por elas mesmas para onde se devem dirigir, quando, em três segundos, já o saberiam e já estavam a meio caminho. Diria que em 90% desses casos, passados uns 5 a 10 minutos todos regressam mais perdidos, a querer ser orientados. As mais inteligentes perdem esse tempo e seguem contentes e agradecidas, conscientes que já economizaram uns bons minutos de stress e de pesquisa. Até caminham mais tranquilamente, porque sabem para onde vão. Os que não sabem, caminham apressadamente, hesitantemente, sempre com a cabeça levantada e o pescoço em todas as direcções, em busca de informações visuais, sinais, nomes, setas...

E perdem tempo. Os apressados interpretam muita informação mal. Agora que o verão está cada vez mais à porta, já dá para notar as consequências. Ao invés de pessoas geralmente sempre bem dispostas, já aparecem com frequência os viajantes irritados, mal dispostos e mal educados. Mais uma vez, aqueles que não se precaveram, não sairam de casa antecipadamente para fazer uma viagem, para comprar um bilhete, e chegam cheios de pressa e a refilar com todos que, naquele preciso dia, "meteram-se" no seu caminho.


Hoje atendi uma mulher que chegou já a avançar, sem parar e a refilar. A duvidar das indicações que lhe dei a respeito do local onde tinha de se dirigir. Então ofereci-me para a conduzir até lá. Pelo caminho conversei um pouco, tentando que descontraísse. Estava atrasada por culpa dela mas, claro, responsabilizou todas as outras pessoas menos a si mesma. Vai que a conduzo até um determinado sítio e  aí mesmo já tenho outra pessoa a querer apresentar-me uma questão. Ao perceber isso, a mulher a quem não tinha obrigação nenhuma de conduzir até o local, respondeu à outra, após esta dizer que pretendia colocar-me uma questão.

-"Boa sorte".

Como quem diz que não a ajudei de todo. Ora a lata! Da próxima vez leva com o tipo de atendimento que os meus colegas fazem: seco, repetem o comando e no máximo apontam na direcção a seguir. Há pessoas que não sabem ser gratas ou reconhecer gestos de ajuda que não está na minha obrigação oferecer. Confundem-me com a pessoa que trabalha para certas companhias e por isso julgam que as sei informar sobre procedimentos específicos dessas companhias. Ora, não é por limpar um restaurante que sei dizer como é que na cozinha cozem os ovos! 

Hoje, por ter pouco movimento em certas alturas, prestei-me a esses favores. E, pela primeira vez, fui ajudar umas pessoas a fazer uma operação naquelas máquinas automáticas. Nunca tinha usado uma mas, como trabalho nas proximidades, pensam que sei tudo e tenho obrigação de saber.

Ontem um casal teimou comigo que a direcçao que lhes dei não estava certa e exigiam falar com outra pessoa que "soubesse". Ainda por cima tinham cortado a vez a outra pessoa que chegou primeiro com uma pergunta. Respondi-lhes porque era uma resposta direta e podiam seguir caminho. Mas o agradecimento veio em forma de desconfiança e ameaça. O cliente que chegou primeiro foi simpático e nao se chateou. Pedi-lhe desculpas e os outros, já que não estavam satisfeitos com as minhas direcções, ficaram ali recusando-se mexer-se do lugar, porque estavam "cansados de correr de um lado para o outro" e queriam alguém que "soubesse" onde ficava um certo hotel.

Pois respondi-lhes que ia ver. Acabei de atender o cliente e segui pelo caminho que lhes indiquei. Direta ao hotel, apenas a 20 metros de distância. Quando dei por mim vinham atrás, certamente já a perceber o erro cometido. Quando se cruzaram comigo, lá disseram:

-"Ah, é aqui. Lembravamos que era uma zona assim e não a vimos. Obrigado".

Fizeram figuras de ursos, como se costuma dizer.

Gradualmente este tipo de pessoas está a aumentar...

Mas entre elas, resta-me as genuinamente simpáticas e as que irradiam um contentamento genuino cada vez que são ajudadas e sentem que as suas preocupações deixaram de existir.

E essas, são muitas.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Como uma UNIVERSIDADE vê o aluno que acolhe



CLIENTE

Esta é a designação com que a Universidade onde estudei me atribui numa comunicação.

Solicitei informações sobre um certificado que necessito e enviaram-me um documento com o título "Lista de documentos A LIQUIDAR".

 A liquidar... como se tivesse dívidas para com o estabelecimento de «ensino». Se a Universidade se preocupasse mais em facultar aprendizagem e conhecimento e menos em fazer lucrativos negócios não se referiria à minha pessoa como "cliente" nem me enviaria uma lista personalizada de documentos a «liquidar». São surpreendentes erros de designação que considero inadmissíveis vindos de quem vem. 

Como pode existir uma lista de documentos a LIQUIDAR se não lhes devo nada? Quaisquer certidões ou diplomas o aluno só pede se desejar, não é obrigatório, logo, não tem nada a «liquidar». No máximo devem-me eles porque enquando lá andei foi necessário um ano para me entregarem um documento já pago. Quanto lhes custaria isso só em «juros»? 

As Universidades vêm todos os alunos como um negócio e não há forma de alguém me convencer, ainda mais depois desta, que a formação é a prioridade. Não é nada! Se eu contasse... No início do meu curso ainda foi. A preocupação em facultar um plano curricular importante para que o curso não «desaparecesse» era o principal. Mas para o final a preocupação era totalmente outra, onde o aluno de NADA importava e cada professor estava a pensar na própria pele e em como não se prejudicar na linha do poder para rapidamente conseguir progredir hierarquicamente e atingir um cargo maior. 

 O que existe é um potencial de extorsão da parte da instituição que não foi bem sucedido. E por essa razão o ex-aluno, ou devo dizer, o CLIENTE, pois pelos vistos as universidades já não possuem alunos mas sim CLIENTES pois é assim que sou IDENTIFICADA na referida comunicação, permanece na base de dados do arquivo morto durante tantos anos, na esperança que um dia este "salde" e "liquide" a dívida.



PS: Na busca de uma ilustração para este post encontrei uma notícia sobre um projecto no Brasil que proibe as faculdades de cobrar a 1ª via de quaisquer Diplomas. Pois é assim mesmo que devia ser! Sem dúvida alguma. O aluno GANHOU por MÉRITO essa certificação. Nada mais justo que a receber. Não está a comprar, pois não? Teve de se esforçar para a obter, não é algo na qual não teve nenhuma participação e por isso compra e leva para casa a seu belo prazer. Sou tão CONTRA a cobrança de valores monetários pela emissão de um Diploma de Habilitações que até hoje deixei os Serviços Académicos da Universidade ficarem lá com o meu. Bem podia ganhar teias de aranha. Raios!